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Ataques à carne vermelha e aos transgênicos carecem de base científica, diz Drauzio Varella

Os ataques que a carne vermelha e os transgênicos vêm sofrendo, especialmente nas redes sociais carecem de qualquer base científica. O posicionamento é do médico oncologista mais conhecido do Brasil, o doutor Drauzio Varella, que palestrou na terça-feira (05), no segundo e último dia do Global Agribusiness Forum (GAF), maior evento do agronegócio mundial, realizado pela DATAGRO, em São Paulo (SP).

Em relação aos transgênicos, Varella assinalou que não existe, mundialmente, nenhum estudo que mostre algum malefício desta tecnologia à saúde humana, dos animais e/ou ao meio ambiente. “A transgenia foi envolvida numa discussão absurda, ignorante, de quem não tem informação científica alguma”, disse o médico, acrescentando que “o que a transgenia faz é simplesmente acelerar a seleção natural de variedades de plantas, o que já é feito de modo empírico há milhares de anos na agricultura”. Além disso, de acordo com Varella, os transgênicos são usados na medicina há anos.

No tocante às constantes críticas que a carne vermelha sofre, o médico acentuou que os ataques são pura ideologia pessoal, sem qualquer dado científico. Segundo Varella, nunca foi feito algum estudo que provasse a relação entre o consumo de carne vermelha e problemas cardíacos, por exemplo. Ao usar como referência informações da Universidade de Harvard, o médico ressaltou que um eventual estudo, que tivesse como objetivo estabelecer alguma associação entre consumo de carne vermelha com ataques cardíacos, precisaria acompanhar cerca de 100 mil pessoas – metade consumidora de carne, metade vegetariana - por 20 anos, a fim de apresentar algum dado estatístico significativo. “E, segundo dados de Harvard de 2002, o custo seria de um bilhão de dólares. Hoje já deve estar mais.”

Saúde e nutrição
De acordo com Varella, os estudos nas áreas da saúde e nutrição são, em muitos casos, conflitantes. “Levaremos muitos anos ainda para termos informações mais precisas”, disse, salientando, por exemplo, que nunca se convenceu de estudos que relacionavam elevado nível de colesterol com problemas cardíacos.

Segundo o médico, a política nutricional, estabelecida após a segunda guerra mundial, que recomendava a ingestão maior de carboidratos em detrimento a de gordura, base da pirâmide alimentar disseminada até hoje, foi instituída sem demonstrações científicas.