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GAF18: Oportunidades do mercado de carbono precisam chegar ao produtor rural

No desafio de combate às mudanças climáticas, as oportunidades do mercado de carbono - ancorado na obtenção de retorno econômico pela redução das emissões de gases de efeito estufa - precisam chegar aos produtores rurais brasileiros. Foi o que destacou André Guimarães, diretor-executivo do Ipam e representante da Coalizão Brasil, Clima, Florestas e Agricultura, durante painel sobre mudanças do clima no Global Agribusiness Forum (GAF), nesta terça-feira (24), em São Paulo (SP).

 

Guimarães disse que hoje ainda se desmata por um custo de oportunidade muito baixo. Em sua apresentação, o representante do Ipam e da Coalizão enfatizou o nexo entre florestas e produção agropecuária “Ou cuidamos de nossas florestas ou colocaremos em risco nossa agricultura”, frisou, acrescentando que “a Floresta Amazônica funciona como um regador para a agricultura”.

Por outro lado, Guimarães também pontuou ações que estão sendo desenvolvidas no agronegócio brasileiro em busca de maior sustentabilidade na produção, com destaque para integração-lavoura-pecuária-floresta (ILPF), intensificação da produção, conversão de pastagens degradadas em lavouras, etc.

Mudanças geográficas

Também palestrante no painel, Jason Clay, vice-presidente de alimentos e mercados do World Wildlife Fund (WWF), alertou que as mudanças climáticas estão provocando alterações geográficas na produção agropecuária mundial, bem como reduzindo a produtividade no campo.

Como exemplos, ele citou lavouras de café na África, grãos nos EUA, arroz na Ásia, entre outras culturas e regiões. Segundo Clay, as soluções digitais, novas sementes, cultivares, biotecnologia são ferramentas para que a agricultura se adapte às mudanças climáticas. Entretanto, o diretor da WWF chamou atenção, ainda, para o fato, de que, na opinião dele, as universidades agrícolas não estão preparadas para gerar conhecimento na mesma velocidade em que estão ocorrendo as mudanças climáticas.

Moderador do painel, José Antônio Marcondes de Carvalho, secretário-geral de meio ambiente, energia, ciência e tecnologia do Ministério das Relações Exteriores (MRE), assinalou que o acordo de Paris relativo à mitigação das mudanças climáticas somente terá resultado com uma combinação de esforços entre todos os países.